Escárnio e bem dizer
quarta-feira, abril 06, 2005
 
Enquanto me perdi de mim... tanto tempo! tanto tanto!
Olhava no escuro do quarto fechado. Uma janela. Num canto. Uma janela sem estilo. O estore estava fechado. A cortina era apenas um cobertor que fingia ser o que não era. Tal com eu.
Sentada no canto, cabeça entre as pernas. Assim estava eu. Olhando no escuro do quarto fechado. A cabeça cheia de tudo e de nada. Muitas desesperanças. Muita dor.
O peito doía tantas vezes numa angústia que eu julgava normal.
O que é a normalidade? O que é?...
Não sou eu, nem quero ser. Mas aquela angústia, aquela porra daquela angústia... Porra!
Dói em mim. Ainda dói ao pensar. Ao lembrar aquele quarto fechado e escuro. A claridade estava lá fora, mas eu, naquela angústia, não a queria deixar entrar. Se me tivesses estendido a mão logo aí... se... se...
 
Deu-me!

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