Escárnio e bem dizer
Quarta-feira, Maio 25, 2005
 
Sonhei com o mar.

Ou era um rio? Seria o Tejo?

Entrava num barco.

Devia ser grande, porque a viagem seria grande, mas era pequeno porque o sonho era "abafado".

Estavas lá comigo. Ias fugir. Quis impedir-te de ires porque te amo tanto. Disseste que voltavas. Quando? quando voltas?... Daqui a nove meses... talvez onze... talvez um ano. Talvez não voltes... Não! Preciso de ti! Preciso de ti! Não vás. Mas o barco ia partir e eu tinha de sair. Corri, corri, corri. Lágrimas nos olhos mas a esperança que um dia, talvez em breve, tu voltasses. Corri, corri, corri. Estava tão cansada e o barco, de repente, ficou tão grande. Tão escuro, tão feio. Passava corredor atrás de corredor. As portas encerravam-se atrás de mim. Não podia voltar para trás. Não podia ir ter contigo, mas tinha de encontrar a saída porque se não teria de ficar, dentro de um "buraco" a fazer uma viagem de semanas... Corria tanto. E as portas a fechar. Começavam a fechar à minha frente. Vi a saída. O barco afastava-se do porto. Afastava-se e eu tinha de saltar. Mas a porta estava a fechar. Eu tinha de saltar se não ficava ali presa. Presa naquele compartimento pequeno do barco. Sem saída, sem nada, durante semanas...

Isto é um sonho! Isto é um sonho! Posso controlar...* saltei por um buraco que se fechava, cada vez mais, saltei e fiquei tão magoada... ou não saltei e fiquei presa? Será que, na verdade, no sonho, eu fiquei presa?

Fiquei presa onde tu estavas mas sem te poder alcançar...

Doi-me tanto a cabeça.
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