Escárnio e bem dizer
Quarta-feira, Março 23, 2005
 
Escrevi-te. Apaguei. Escrevi-te. Apaguei... vezes e vezes sem conta na minha cabeça as palavras rodaram. Rodam há quase dois anos.
Mal entendidos. Merda! Aconteceu e nós perdemo-nos. Lamento tanta coisa. Mas, acima de tudo, lamento ter-te dito: "tens razão". Não tinhas, porra! Não tinhas razão nenhuma! porque é que eu achei que sim?!
Precipitei-me. Depois era tarde. Demasiado. Se voltasse atrás e gritasse a verdade, aí sim terias a certeza da tua razão da pior forma. Mas nunca te devia ter dito que tinhas essa razão que não tinhas.
Hoje, passados quase dois anos, penso em dizer-te a verdade. Mas pergunto-me: para quê?
Já nos perdemos. Não há volta. Continuo a falar-te, a sorrir-te, a emocionar-me contigo. Tu continuas a falar-me, a sorrir-me, a pedires a outros para te dizerem como eu estou. Queres saber de mim e nem tens coragem de me perguntar directamente por mim mesma. No entanto perdemo-nos. Não há volta a dar. Existe nessas palavras, nesses sorrisos, nessa emoção tanto de culpa, tristeza e pena. É a nostalgia de sentir que algo está errado mas não há forma de voltar atrás. Se ao menos tivesses entendido a verdade. Se ao menos eu não estivesse tão absorvida noutros problemas que não tu e tivesse olhado, mais profundamente, o que se passava!
Perdemo-nos. Hoje escrevi-te e apaguei. Lamentei ter apagado. Voltei a escrever e voltei a apagar. Não vai adiantar.
Talvez um dia. Com um olhar, uma palavra, um gesto, um abraço. Talvez... talvez já saibas. Talvez lamentes. Talvez...
Comments: Enviar um comentário

Powered by Blogger