Escárnio e bem dizer
sábado, agosto 07, 2004
 
Deparo-me com pessoas que deitam o passado fora vezes e vezes sem conta. Tentam mostrar que "limparam a casa"; "limparam a cara"; "lavaram as mãos"; "renovaram". Por vezes sabe bem colocar para trás das costas coisas que nos incomodam. Escondê-las "debaixo do tapete" ou, simplesmente, ignorá-las. Mas quando se está permanentemente a começar de novo significa que os erros nunca foram corrigidos, que temos vergonha do que somos e queremos esconder e recomeçar com nova cara para que os outros nos possam conhecer como queremos, ou acreditamos, ser. Mas não somos. E enquanto não se enfrentar aquilo que se é, enquanto não olharmos para a nossa casa e não a arrumarmos (em vez de mudar de morada para começar de novo), nunca vamos conseguir ser nem quem somos, nem quem queremos ser.
Por muito que fujamos, há sempre uma pessoa de quem não conseguimos fugir: de nós mesmos. É tempo de nos enfrentarmos, conhecermos, amarmos e aprendermos a viver connosco... sem fugir ao que sempre fomos.
sexta-feira, agosto 06, 2004
 
Sentir a tua ausência. Permanecer em silêncio com o pensamento apenas em ti, em como te sinto, te quero, te desejo perto de mim. Sinto tanto a tua ausência! sinto tanto a presença da memória de ti.
Imagino-te. Imagino o momento de te rever sem saber quando, onde ou como. Preciso de ti. Não para viver, mas para me sentir bem. Preciso espiritualmente de ti. Para sempre agora.
quarta-feira, agosto 04, 2004
 
Foi assim que tudo começou há um ano atrás:

É mesmo só para testar isto...
@ //Bloggado às 7:24 PM por Maria Comment (0)


Ok pronto, não foi lá grande começo, mas este também não lá um grande blog ;)

Na realidade o primeiro post oficial deveria ser este:

Nunca tive um diário porque sou incapaz de escrever para «alguém» imaginário. A ideia de ter um diário é o quê? Escrever para nós mesmos o que nos acontece? Mas isso nós sabemos sem escrever! Escrever para nós mesmos sobre o que sentimos? Com que objectivo? Sentir com mais força? ou aprender a sentir? Não sei. Talvez para algumas pessoas resulte. Eu preciso de saber que tenho um leitor, mesmo que seja mesmo só um.
Muito provavelmente este meu blog vai ter tantos, ou quase tantos, leitores como teria um diário de papel que eu escrevesse. Mas aqui o risco de alguém ler não me preocupa porque ninguém sabe quem sou. Se as pessoas soubessem respeitar sempre os outros os diários não tinham cadeados, não é? É exactamente o cadeado que não me inspira confiança. Prefiro a abertura da Internet.
@ //Bloggado às 1:18 AM por Maria Comment (0)

Mas este foi umas horas depois, já no dia seguinte. E assim se passa um ano debitando palavras umas vezes sentidas, outras simplesmente "tecladas".


terça-feira, agosto 03, 2004
 
Queres colinho? queres miminhos? queres bolinhos? queres umas línguas de gato? umas bolachas maria? um rebuçadinhos de mentol? queres uma lata de atum ou de sardinhas com tomate? queres comida de microondas? e umas torradas com manteiga primor mais um chazinho?

E um abracinho? e um beijinho? queres que te conte uma história enquanto te aconchego na caminha?

 
O que fazer quando a nossa vida nos obriga a repensar muitas das nossas atitudes? o que fazer quando aquilo que sempre achámos certo, ou que apenas nunca questionámos para evitar problemas, de repente passa a ser questionado de uma forma dolorosamente visível?
Ser colocada à prova desta forma é demasiado doloroso. Há coisas que já não têm solução e eu sei, mas tenho a mania de nunca perder a esperança, de tentar uma e outra vez e, cada vez que o faço, só serve para aprofundar ainda mais o problema, afastar ainda mais a solução e criar um abismo que, se não tiver cuidado, pode tornar-se impenetrável.

Merda!


segunda-feira, agosto 02, 2004
 
A magia da tristeza

Invadiu-me uma tristeza repentina. Daquelas tristezas alegres que nos deixam com as lágrimas nos olhos e vontade de voltar atrás. Procurar algo que perdemos mas que, na verdade, nunca tivemos. Imaginámos.
Sentir saudades dessa vida imaginada que tivemos um dia e que hoje acreditamos que existiu. Talvez ela tenha realmente existido. Talvez tenhamos sido felizes. Será que sabíamos?
Gostávamos de viver naquela tristeza inventada dos tempos onde a irresponsabilidade comandava as nossas acções e a natureza servia de cúmplice aos nossos pensamentos mais profundos e desabafos deixados no ar.
Será que existiu aquele templo com quatro colunas nas esquinas, com flores e estátuas, com bancos nas paredes onde nos sentávamos em meditação? Será que o céu era a única testemunha dos nossos momentos de solidão e pensamento? E os monstros das masmorras do templo? Aqueles com os olhos brilhantes que se escondiam na esperança que os fossemos procurar?
Será que existiam as bruxas da casa de hera onde entrava a medo. Medo que elas voltassem.
Existia essa magia. Existia essa solidão. Existia a meditação e a imaginação. E a tristeza... sempre a tristeza da qual tenho saudades, porque essa, a desses dias, era uma tristeza que continha magia, que continha esperança e que nos fazia crescer. A de hoje não tem magia, tem verdade. Não tem esperança, tem lamentos. E não nos faz crescer, faz-nos envelhecer, dia após dia numa alegria imaginada que tenta ter a magia da tristeza também imaginada dos dias de outrora.
 
Porque não quero que ninguém fique infeliz:



A pedido do Jordi.

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